Como gerenciar expectativas enquanto apoiamos o sonho

Texto traduzido de Parents in Sport

Imagem de https://amenteemaravilhosa.com.br/tornar-os-sonhos-realidade/

As estatísticas não mentem e todos nós temos um papel a desempenhar.

Me peguei a pensar em como os esportes apresentam seus programas para pais e jovens.

No fundo, tenho certeza de que sabemos que as chances de jovens se tornarem atletas olímpicos e jogadores profissionais de futebol ou esportistas são incrivelmente pequenas, mas muitos pais esportivos ainda sonham e têm essas expectativas.

“Há cerca de 10.000 atletas nos Jogos Olímpicos de Verão. Com a população mundial em cerca de 7 bilhões, as chances de chegar tão longe são de cerca de 1 em 562.400”, diz Bill Mallon, ex-presidente e cofundador da Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos.

Nos EUA, pesquisas mostram que 67% dos pais esperam que seus filhos ganhem bolsas de estudos pelo esporte, enquanto 33% sonham em fazer parte de alguma equipe olímpica ou jogar profissionalmente.

Uma coisa é fantasiar, outra é estar convencido. 40% dos pais com jovens atletas estão “certos” ou “bastante certos” de que suas ambições de medalha de ouro e contrato profissional se tornarão realidade.

De acordo com as estatísticas da NCAA (Associação Nacional de Esportes Universitários dos EUA), apenas uma porcentagem minúscula de atletas do ensino médio chega a jogar profissionalmente.

  • 1 em 610 (0,16%) será escolhido por um time da Major League Baseball.
  • 1 em 10.399 (0,0096%) será escolhido por uma equipe da NBA.
  • 1 em 12.873 (0,0077%) será escolhido por uma equipe da WNBA (basquete feminino).
  • 1 em 3.960 (0,025%) será escolhido por um time da NFL (futebol americano).

Não se trata de forma alguma de desencorajar os sonhos, muito pelo contrário, as crianças devem ser encorajadas a pensar que “o céu é o limite”, é melhor que os jovens sonhem do que nada.

No entanto, é nossa responsabilidade como adultos garantir que sempre tenhamos essas estatísticas em mente ao tomar decisões ou apoiar nossas crianças e adolescentes.

Gostei de algo dito por Tony Fretwell (Gerente da Academia Barclays FAWSL), que a descreveu de maneira um pouco diferente, mas certamente pintou outra imagem muito clara.

“Quando nos vendem umas férias e recebemos as divulgações é 99% sobre o glamour da viagem, os hotéis, praias, mar, piscinas e atrações e depois há um pequeno aviso de isenção de responsabilidade que nos diz alguns dos potenciais problemas (o avião caindo etc.), o pacote é um reflexo justo das chances de isso acontecer”.

No esporte e especificamente no futebol, temos chances muito semelhantes de crianças se tornarem profissionais, mas às vezes os programas são vendidos de maneira contrária. Vende-se o sonho e o glamour quando, na verdade, deveríamos estar vendendo melhor a jornada e as partes e benefícios mais amplos da participação em um programa esportivo.

Devemos fazer e mostrar mais sobre como vamos desenvolver os jovens com talvez o 1% final dizendo que há uma chance de se tornar um jogador de futebol profissional no final da jornada.

Em vários clubes com os quais trabalhamos, muitos estão sendo proativos em relação a esse fator. Tentar ajudar a pavimentar o caminho para a decepção que pode acontecer, enquanto asseguramos aos pais que eles trabalharão duro para desenvolver tanto a pessoa quanto o jogador da melhor maneira possível.

Tanto as organizações desportivas como os pais têm um papel fundamental a desempenhar.

Há algo extremamente poderoso no sucesso esportivo, a forma pela qual o vemos como sociedade e como isso é alimentado e retratado pela mídia.

Damos ênfase o suficiente a isso como pais?

Tenho certeza de que isso será diferente de casa para casa e de esporte para esporte, mas se conhecermos realisticamente as chances de sucesso e recebermos apoio positivo – isso nos dará uma chance melhor de gerenciar nossas próprias expectativas e as de nossos filhos?

Muitos envolvidos no esporte frequentemente citam os pais com expectativas irreais como uma questão importante dentro dos grupos com os quais trabalham. Receio que seja prerrogativa de um pai ser ligeiramente tendencioso em relação a seus próprios filhos, essa é a natureza humana.

Queremos que os pais tenham expectativas das coisas certas, progresso para seus filhos tanto esportivamente quanto de forma global, desenvolvimento de caráter, habilidades para a vida e interações positivas com treinadores e seus colegas.

Quando compramos um bilhete de loteria, sabemos que as chances de ganhar o prêmio principal são pequenas, então, quando os resultados chegam e recebemos o e-mail ou entramos nas lojas, ficamos animados para aquele momento. O acúmulo e o momento em que clicamos no e-mail ou o entregamos no balcão na esperança de ganhar milhões.

Na maioria das vezes, ganhamos R$10 ou menos e somos capazes de seguir em frente com extrema rapidez, pois nossas expectativas de ganhar o grande prêmio estavam em perspectiva para as chances de sucesso.

No entanto, no esporte, nossa reação a probabilidades semelhantes pode ser muito diferente.

Pais – há muitas boas razões para praticar esportes na infância e adolescência que não envolvem bolsas de estudos, medalhas olímpicas ou contratos profissionais – concentrem-se nisso e estou confiante de que vocês comemorarão mais vitórias no caminho e não correrão o risco de se decepcionar pelo resultado final da viagem, seja ele qual for.

Também estou bastante confiante de que seus filhos obterão muito mais de sua experiência esportiva se pudermos adotar essa abordagem.

Imagem de https://www.lucasfonseca.com.br/blog/o-que-e-ser-vencedor/

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